Estou impaciente, do quarto dá pra ouvir tudo.Desespero, ele ta se contorcendo em dor.
Seria cruel da minha parte colocar fones de ouvido e tornar a escrever?Deixa pra lá, tanto faz, amanhã esqueço disso.
Tava aqui no quarto fingindo pensar...Quando ouvi alguém pedindo ajuda, voz de menino. “Ai ai ai ai ai ai ai” era assim. Tava de meia, deslizei no chão, 5:00 da tarde, dia frio, clima nublado e triste, nem havia notado, eu que adoro chuva e céu azul tristonho.Corri pra janela da sala de estar, correram também meu irmão de 11 anos, e a minha “queridíssima” mãe.Vivo na área nobre de Fortaleza, prédio azul com branco, é sempre assim que descrevo.Alguém pergunta onde é a sua casa? E eu respondo...”ahh é fácil! fica perto de uma árvore velha de folhas cumpridas, na frente do banco tal, do lado do colégio tal.Não entendo de ruas, vai ser difícil quando começar a dirigir.
O menino estava lá estendido como um tapete sujo em frente o banco do Brasil que fica na frente do Pão de açúcar esse de frente pro Hospital São Matheus( lugar de riquinhos) que fica do lado da Distrivídeo.Nem há necessidade de abrir parênteses nesse hospital idiota, todos os ambientes que citei são bem apessoados.Deixa eu pensar, há tambem uma padaria luxuosa chamada Plaza, nunca pisei lá, exceto pra comer misto quente na 5ª série do fundamental, custava 1,00 real.Na 6ª série, aumentou pra 2,50.Na 7º , saí da escola que ficava ao lado do Plaza. E foi aí que aprendi que gastar dinheiro com comida é desperdício!Melhor gastar com bala e doce que não deixa de ser comida.Deixa pra lá de novo, é que comer doce ultimamente tem sido como ritual pra mim.
Mas enfim, estou fugindo do assunto que me comoveu. Modéstia parte, sou meio que Machado de Assis, viaja nas idéias e ninguém tem paciência pra ouvir suas histórias, pq esse alguém já dormiu O.o é verdade! Eu não sei contar histórias.
10 minutos de clamor.Ele dizia:” Me ajuda, não consigo ficar de pé” palavras eram muito poucas.Gemia muito.Magrinho, cabeça grande.Tipo daqueles garotos de 15 anos que aparentam ter 10.Eu já tinha visto ele por aqui várias outras vezes.Pede esmola, comida e sempre dorme na frente do Pão de açúcar.Pernas fiinas fininhas.Poxa, o início desse texto pode ter soado com um pouco de humor.Mas não queria causar isso.As pessoas passando, mas nem aí.Viam-no como um cachorro vira lata doente, mas até um cachorro agente ajuda.Um dia eu ajudei um, somente com a minha presença.Eu estava na praia, andei andei bastante.Ficou deserto e eu fui fazer companhia aquele cachorro, na verdade era uma cadela.Quando o passeio que durou 60 minutos acabou, senti a falta dela.Tava meio solitária nesse dia.
Achei que o menino fosse morrer, da janela olhei o horizonte de azul tristonho, olhei pra baixo, um menino só.Fiz careta e chorei, ninguém viu.A Silvia tinha descido e o Serginho foi ver desenho na TV.Torcia pra que uma alma caridosa fosse lá ajudar.Ajudar, o que é isso? Somente curiosos, davam uma paradinha, uma rabi saca, um olhar sem compromisso e logo fugiam pro seu mundinho egoísta.Eu pensei:” Se UMA pessoa SÓ parar pra ajudar, outras mais virão” Foi dito e feito!Formaram-se um grupinho de 6 pessoas, entre eles a Silvia, a mais curiosa, do verbo “curiar” “futricar” eu via seu sorriso lá de cima.
Não leve o verbo ‘A.J.U.D.A.R.’ tão seriamente assim.
O menino envergonhado parou de gritar mais, porém de vez enquanto voltava a se contorcer.E os 6 admiradores com cara de tacho olhando aquela bela exposição de arte contemporânea em meio a pedidos de socorro.Logo chegaram mais dois tripulantes, senhores da lei! Que se juntaram ao seis para acompanhar o espetáculo que já não era tão emocionante.Viatura 1024. Meu prédio é cheio de anjinhos e anjinhas metidos a católicos fervosos.Uma mocinha, uma senhora, e um casal com o TAL(espécie de cruz) no pescoço, membros da entidade Shalom passaram, viram o menino e não fizeram nada pra ajudar.Tenho HORROR a hipocrisia desses santinhos, não fazem nada por vontade própria, com o desejo de ajudar.Estão enganados se pensam que o dízimo vai pagar entrada pro céu, são muito burrinhos mesmo.Foi aí que decidi vir me trancar aqui no quarto, tem música, água, ventilador.Métodos de purificação instantânea.
Não pense que eu esqueci do PORQUE do garoto estar tão mal.
Se liga só no título do POST.
Não me interessa quem usa de maneira controlada ou aleatoriamente.
Respeito quem usa e tenho pena de quem usa.
Pena é algo que me vem sem que eu tome conhecimento, não tenho culpa, creio que pena não seja uma falta de respeito.
Puxa, pensar que MUITO da economia do país é movimentada dessa forma, é um baque pra mim.Não falo desse garoto, porque a grande massa consumista está mesmo na classe média e classe média alta da qual me coloco.Reconheço que é difícil meio a tantos problemas não experimentar algo que nos dê prazer,acessível do jeito que está.
Difícil não impossível. Quero viver com dignidade, ser feliz pela conseqüência dos meus bons méritos.Não driblar o problema como a droga faz, mas encará-lo e vencê-lo, destruí-lo! Seu BOSTA!!!
Não sei que fim levou aquele menino, espero não ter que ouvir seus gritos de novo, JAMAIS da boca de um amigo.Pessoa fraca., não quero um amigo fraco...
domingo, 1 de março de 2009
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